14 de maio de 2015

Quem tem medo do lobo mau?


De dois anos para cá, a Marvel lançou três novas séries - duas pela ABC e uma pela Netflix - vai estrear pelo menos mais quatro pelo serviço de stream e já tem projeto para mais duas pela ABC, sendo que todas elas convivem no mesmo universo compartilhado do cinema, mas ainda sim conseguem apresentar produtos únicos e originais. Então, como, quando e onde a Marvel decidiu mandar no mundo inteiro? 

A DC usa o sistema de "universos paralelos", onde cada canal tem o seu "universo DC" e o "universo cinematográfico" vive em outro. Prova disso é terem escalado dois atores para viver o Flash em um espaço tão curto de tempo em duas mídias diferentes (um na série da CW e outro no futuro filme da Liga da Justiça). Já a Marvel usa o sistema de "universo compartilhado", onde todos os produtos live action são considerados do mesmo universo. Logo, os Vingadores do cinema fazem parte do mesmo universo que o Demolidor da Netflix ou o Agents of Shield da ABC. Tudo junto e misturado. 


Mas, se você acha que eles começaram a pensar nisso agora, vocês estão completamente enganados. A Marvel foi comprada pela Disney em 2009 e, já em 2010, a companhia do ratinho rico bancou uma expansão do Marvel Studios - que já existia - para criar a Marvel Television. A ideia era mais ou menos simples: alguns shows da Marvel tinham dado certo no passado, eles tinham um plano bom e a longo prazo nos cinemas e queriam lucrar na TV também. Sim, o ratinho rico é um safado capitalista. 

Agora, entre junho de 2010, quando essa divisão foi lançada, e julho de 2012, quando o piloto de Agents of Shield foi oficializado, eles fizeram um monte de coisas que não deram certo. Por exemplo, a primeira ideia a ser desenvolvida foi uma série do Hulk com Guilhermo Del Toro a frente. Sério! Obviamente não rolou, principalmente porque Joss Whedon queria ele nos Vingadores. Além dele, outros três projetos foram estudados e engavetados depois. Foram eles O Justiceiro, em parceria com a FOX, Manto e Adaga na ABC Family e Harpia, na ABC, personagem que acabou entrando em AoS. AKA Jessica Jones, com Melissa Rosberg como showrunner, foi o único projeto dessa leva que se salvou, saindo da ABC e indo para a Netflix, junto com Demolidor, Luke Cage, Punho de Ferro e a mini-série Os Defensores, que vai reunir todos esses quatro super-heróis.


Em 2013, Agents of Shield estreou na ABC e acabou se tornando um paradoxo nas séries do canal. A série tem uma força muito maior online e gravada do que na hora em que vai ao ar no canal. A audiência nem é ruim, mas o público principal da série a vê depois. Com isso, muito se especulou sobre a renovação para uma segunda temporada - o que aconteceu - e mais se falou ainda sobre os possíveis spin-offs. O primeiro, já lançado e com um relativo sucesso, foi Agent Carter, que é mais um derivado do primeiro filme do Capitão América do que de AoS. O segundo - que não deve rolar por agora, mas que ainda tá cotado para o futuro - é a possível série da Harpia e do Agente Hunter, personagens que foram introduzidos na segunda temporada de AoS, com um dos roteiristas principais do mesmo como showrunner. Outra possível série é um projeto com John Ridley, roteirista ganhador do Oscar por 12 Anos de Escravidão. Segundo rumores, a série será uma reinvenção de um personagem conhecido da Marvel e iria ao ar pela ABC ainda em 2015. Os boatos falam de personagens como a Miss Marvel muçulmana, um spin-off de Deathlock que já foi introduzido em AoS ou uma série do Blade, que eu acho mais provável, mesmo sendo pra ABC.


No Netflix, a Marvel teve a chance de levar as séries para um público mais adulto. Prova disso é que a quantidade de sangue na primeira temporada do Demolidor provavelmente é maior do que a de todos os filmes da Marvel até agora. Demolidor deu tão certo que foi renovada 11 dias depois dos seus episódios irem ao ar, adiantando a produção das quatro outras séries já anunciadas pela Marvel e abrindo a possibilidade de outras virem por ai, como O Justiceiro, Motoqueiro Fantasma, Cavaleiro da Lua e Elektra, personagens que não dariam muito certo em uma emissora aberta - leia-se com pouco sangue escorrendo - e que agora encontraram uma casa aberta e feliz para recebê-los. Óbvio, muita coisa pode acontecer e nenhum desses projetos pode dar certo, mas falando sério, as chances são muito boas de que o império cinematográfico da Marvel se estenda para a tv também. 

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